XII CONLAB em Lisboa

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Iniciou-se no dia 1 de fevereiro, na reitoria da Universidade Nova de Lisboa, o XII Conlab. O congresso Luso-afro-Brasileiro de Ciências Sociais, que decorre até 5 do corrente.

Na sessão inaugural, tomaram a palavra numa interessante mesa redonda, Manuela Carneiro da Cunha, Boaventura de Sousa Santos e João Paulo Borges Coelho. Perante um auditório de cerca de meia centena de pessoas e depois duma sessão sobre Fado Dançado, numa reinterpretação que busca as raízes africanas do fado, feita pela associação Batotoyetu, que noutro sítio falaremos.

Regressando à Mesa Redonda, Manuela Carneiro da Cunha desenvolve uma conversa sobre a questão dos saberes locais e da sua importância na manutenção da diversidade dos sistemas de vida. Citando Basarab Nicolescu, um dos autores da carta da Transdiciplinaridade, para haver vida é necessário que se reúnam três elementos: Recursos naturais, energia e biodiversidade. Os sistemas vivos de alimentam dos recursos, mas vivem em interação. Trocando informações com o mundo exterior. A segunda lei da termodinâmica ajuda a entender a necessidade de entender a transformação dos sistemas pela entropia. A biodesevsidade constitui-se como um importante e necessário espaço de possibilidades que assegura as trocas e a inovação nos sistemas.

A sobrevivência alimentar do planeta depende da manutenção da biodiversidade. A chamada Revolução Verde, do pós-guerra privilegiou a  a produtividade. Apenas as espécies produtivas são seleccionadas para reprodução. Essa é uma tendência de longo prazo da humanidade, nos diferentes espaços. Apenas uma pequena parte das espécies vegetais e animais são usadas para consumo humano. Os grandes movimentos de comunicação entres os continentes levou as espécies vegetais para diferentes espaços, permitindo a sua evolução. Mesmo dentro da mesma espécie ou família podem verificar-se variações que constituem reservas dessa biodiversidade. A biodiversidade assegura-se nessa troca. No mundo moderno não se dá valor a essa diversidade nem aos saberes locais. A grande fome na Irlanda, no início do século XX, aconteceu por se plantar apenas uma variedade de batata, que tendo sido atacada por uma doença, produziu as perda total das colheitas, durante vários anos, tendo perdido a vida cerca de um milhão de irlandeses, emigrando outros tantos para os Estados Unidos. A história dos alimentos e da alimentação é um elemento interessante para estudar a biodiversidade a a forma como estamos expostos a riscos de sobrevivência. O trabalho da autora na Amazónia sobre os processos de produção da mandioca exemplificam a relevância dos saberes locais, das trocas e dos usos das sementes para a manutenção da diversidade genética.

 

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