Linguagem, comunicação e esquecimento

Postado em

A Propósito da questão do esquecimento, que trabalhamos no Post anterior, onde a partir da proposta de Freud e Jung procuramos delimitar o campo do esquecimento como um espaço de rememoração, vejamos agora essa articulação na Teoria da Literatura

Em torno de Saussure e Lacan

A proposta de Saussure sobre o signo linguístico distingue o significante e o significado. O som duma palavra, é um significante. Uma forma que permite a sua identificação. O seu significado é a ideia que ele transmite. No processo de comunicação a relação entre significante e significado não é uma relação natural, mas uma relação cultural. Uma convenção aceite pelas partes

Por exemplo na ideia de árvore (o conceito que agrega diferentes espécies de vegetais, caracterizados por ter raízes, tronco e folhagens) , o seu significado não está relacionado com a sequência de fonemas ar-vo-re, o seu significante. O som da palavra poderia ser qualquer outro que fosse convencionado para a ideia (conceito). Assim como qualquer outra palavra não se relaciona com o som sem uma convenção socialmente partilhada. O signo é um vínculo aleatório entre um significado e um significante. É esse vínculo que se reproduz na comunicação. A linguagem é uma sequência de vínculos socialmente aceites. Uma língua, é um processo de comunicação de vínculos que representa uma realidade. A realidade é algo que é partilhada por todos e se exprime por signos.

Um língua organiza o conjunto de signos,  relacionando os seus diferentes vínculos com a comunidade que a utiliza. O limite desses vínculos, a sua fronteira é o grupo dos que utilizam essa língua. O sistema de comunicação está pois limitado à relação de uso, de quem é capaz de emitir e receber. Os utilizadores do código, os usuários da língua, necessitam de conhecer e partilhar as significações. Previamente ou no processo. A língua como sistema evolui nessa realação. Quer as palavras, quer os sons, pelo seu uso relacional em contexto vão-se transformado no processo. A linguagem é um processo de correlação entre o acaso e a contingência

Pelo contrário Jacques Lacan defende que a linguagem, emerge na realção entre a mãe e a criança. O som gerado pela vocalização gera ação. O resultado dessa acção é também vocalizado. A presença – ausência, o som e o silêncio são partes dum todo. A conotação do som não-som é o primeiro elemento de uma ordem simbólica, que irá sendo desenvolvida. Para Lacan a vocalização resulta do papel ausência- presença na relação. Sem esse par não existe linguagem. É a partir dessa ordem simbólica se primeira presença-ausência que se constrói a linguagem.

Essa observação de Lacan, introduz na questão da formação da linguagem o elemento dinâmico da transformação. O código da linguagem não é fixo nem absoluto. E não existindo uma ligação entre o significante e o seu significado, as ideias e os conceitos que lesas representam podem deslocar-se, em processo de comunicação, quer para outros sonoridades, quer para outros significados. Ou seja qualquer palavra pode, em função da sua sonoridade e do seu contexto, significar diferentes conceitos, assim como diferente ideias podem em diferentes contextos assumir as mesmas formas. 

Ora fazendo a ligação entre a teoria da linguagem em Sousurre e Lacan e a proposta de Freud, que afirma que o esquecimento e a lembrança  pode ser originário por relações de sons, ou que os conteúdos dos sonhos podem assumir a forma de sons que revelam processos recalcados. O chamado conteúdo latente e o conteúdo manifesto, que aqui se podem distinguir entre a semelhança do som e a verbalização dum conceito ou ideia, são pois uma e mesma manifestação duma representação.  As representações formam-se por duas vias. Seja pela ia pelo som. Entre elas existem relações de contaminação, que permitem que uma influenciem as outras.

Síntese

Saussure, cria o seguinte esquema para representar o signo:

significado                        ou                     ___conceito___

significante                                                imagem acústica

Vejamos a partir do exemplo da ávore de  Saussure para explicar o que é signo.

significado               ou              conceito de árvore

significante                                          arbor

Lacan, propõe duas alterações nesta abordagem. Por um lado, a divisão entre significado e significante  deixa de ser uma divisão, para ser um campo de permeabilidade, onde o significante, que está recalcado, emerge como fluxo de interação. (uma possibilidade de ação que implica uma oposição à significação); enquanto por outro lado a força dessa interação, inverte a relação de Saussure, pois na linguagem com  açção, é a produção de som que vai articular o seu significado. A produção do som a a sua escrita simbólica.

A ordem do discurso e a ordem da escrita relaciona os diferentes significados da cada significante. Ou seja cada palavra só ganha significado em função da sua posição no conjunto, permitindo fixar provisóriamente o movimento de significações dentro da palavra.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s